quinta-feira, 10 de abril de 2014

Diálogo: sobre dividir o amor


- Eu amo tanto uma pessoa que chega a doer.
- Acho que você está amando errado. Amar não deveria doer. Deveria ser bom.
- Mas é.
- Não entendo, como algo pode ser bom e doer ao mesmo tempo?
- Acho que faz parte. Eu li em algum lugar que não dava para explicar o amor. 
- Se dói tanto assim como você sabe que é amor?
- Eu apenas sei. 
- Como?
- Ah, não sei. Ele é bonito e divide o lanche comigo. Eu gosto de segurar na mão dele e eu choro quando ele conversa com a Aninha. Eu não consigo explicar, é mais fácil sentir. 
- E como é a dor?
- É uma dor, ora!
- Como dor de barriga?
- Não. Aperta o coração. É como se ele ficasse pequenininho de vez em quando. 
- Acho que isso é porque você está amando demais. Tem tanto amor que não cabe no coração. 
- E o que eu faço? Amo menos? 
- Acho que você deveria dividir o amor. Coloca um pouquinho em outro lugar. 
- Talvez eu já tenha feito isso. 
- Fez? 
- As vezes o amor escapa num sorriso. As vezes, numa lágrima. 
- Ele escapa? Vai embora para sempre? Então acho que você deveria sorrir mais ou chorar mais, pra parar a dor do coração.
- Não, acho que ele volta, porque o coração se aperta de novo. 
- Isso é complicado... Eu não quero amar, nunca!
- Aposto como você vai querer! 
- É coisa de gente grande. E você disse que machuca...
- Eu acho que você tem razão, tem que dividir o amor. Quando você nasceu o papai disse que a mamãe ia dividir o amor entre nós dois, mas que ele não ia ficar menor, e sim aumentar. Eu não entendi direito, mas acho que ele estava certo. Acho que é porque você precisa encontrar alguém pra amar junto com você, por muito, muito tempo...
- Que nem o vovô e a vovó?
- Isso, que nem o vovô e a vovó! 

3 comentários:

Deixe a sua opinião sobre o post!